SAMBA ENREDO

Compositores: Ian Ruas, Caio Miranda, Zé Carlos, David Carvalho, Luiz Fernando, Luana Rosa, Fabiano Mattos e Carlão.

Arreda, homem, que essa preta vai girar
Meu tambor a ecoar em resistência
Evoco as divas, as Marias, as baianas
Depravadas, puritanas, pra clamar nossa insolência!
Exu comanda esse terreiro
Eis o verdadeiro nome de sinhá

Francisca, voz da encruzilhada, rosa indomada, deusa da rua!
Na procissão da Academia, negra fidalguia se perpetua

Incorporei no atabaque do meu torrão
Festa de ostentação ao poder da negritude
Dilacerei as vestes da servidão
Meu corpo foi invasão, fetiche da branquitude!

Nas lentes de outros olhos
O foco na nossa verdade é menor
Tal qual a trama da atriz
Que encenou, de uma vida, um capítulo só
Eu, que já fui outras Xicas, refaço o roteiro, no chão que me fez triunfar

Gira, desce o morro do Salgueiro, meu quilombo pioneiro, renasci nesse gongá!
Firma axé na segunda-feira, saravá, alafiá

Mãe, guardiã, fruto do afã
De um ventre escravo e um nobre senhor
Matriz, mecenas de toda arte, que leva em seu
Estandarte, a simples audácia do amor
Louvai, Brasil! A filha de Orun despertou!

Laroyê! Xica da Silva! Laroyê! Ê Mojubá!
Toda mulher tem direito à própria história
Meu Salgueiro é a memória que eu voltei pra consagrar